Enquanto os dois candidatos à Presidência do Brasil discutem bobagens num cenário que mistura insultos pessoais e promessas demagógicas de provimento ilimitado de benefícios sociais para toda a população, num conjunto de elaborações absurdas que assegura menos impostos, taxas de juros menores e despesas oficiais ilimitadas, Porto Alegre será por alguns dias, palco do Projeto Fronteiras do Pensamento, Seminário Internacional realizado com o formato de conferências e que reúne no País renomados pensadores do mundo todo.
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Entre eles está o escritor peruano Mario Vargas Llosa. Numa homenagem à visita dele ao Brasil, O Globo Online republicou a entrevista que ele concedeu ao escritor Pedro Maciel em 2007.
Do Mário Vargas Llosa, li quase todas as obras, com mais motivação por conta dos temas, o “Peixe na Água”, que conta a experiência dele na disputa com Alberto Fujimori pela Presidência do Peru e “A Guerra do Fim do Mundo”, sobre Antonio Conselheiro.
Seria bom dar algum espaço para o pensamento do Mário Vargas Llosa no debate que travam José Serra e Dilma Rousseff. Diz ele, na entrevista publicada pelo Globo Online: “Eu sou um liberal, acredito na liberdade como algo indivisível: na liberdade política e na liberdade econômica como instrumentos do progresso numa sociedade. Bem, por isso, defendo a democracia política, defendo as políticas de mercado, as quais acho que devem sempre ir juntas, porque esta é a única maneira de garantir progresso não só econômico, mas também cultural, ético, institucional”. A entrevista, na íntegra, está no endereço: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/#331890.
Outra personalidade política que deveria estar presente no campo das formulações dos candidatos à Presidência do Brasil é Margareth Thatcher. Aproveitei a minha viagem longa aos Estados Unidos – mais de 12 horas entre vôos e aeroportos – para ler “A Arte de Governar”, obra dela publicada no Brasil pela Editora Biblioteca do Exército. Publicação de 2005.
Em determinado trecho do primeiro capítulo do livro, “Reflexões sobre a Guerra Fria”, a senhora Thatcher descreve o sistema comunista com absoluta propriedade:
“O sistema comunista soviético tinha como objetivo fundamental conseguir dominar o mundo em sua totalidade por meio de uma ideologia, o marxismo-leninismo, e pelo Partido Comunista, que era o curador supremo e único beneficiário dessa ideologia. Esse objetivo, segundo seus proponentes, não estava submetido a nenhuma limitação moral cuja real intenção parecia absurda. O comunismo não reconhecia qualquer limite, a não ser os impostos pelo poder dos inimigos.
Dentro de tal sistema, as pessoas só possuíam valor na medida em que cumpriam o papel que lhes cabia. Do mesmo modo, a manifestação de idéias, as realizações artísticas e todo tipo de atividade “privada” eram avaliadas e permitidas de acordo com o que traziam em benefício da revolução, o que, na prática cada vez mais significava os interesses dos chefes do Kremlin”.
A definição se encaixa sem arranhar os dedos, com absoluta facilidade, ao que é a prática de governo do Partido dos Trabalhadores, que a Dilma Rousseff representa com propriedade na disputa pela Presidência do Brasil.
Mais a senhora Thatcher complementa: “Nem a queda do Muro de Berlim, nem a vitória na Guerra do Golfo, nem o colapso da União Soviética e tampouco o estabelecimento de mercados livres e de certo grau de democracia no Sudeste da Ásia, nada disso resolvera a tensão entre liberdade e socialismo sob seus inúmeros disfarces. Os que acreditam no modelo ocidental com governos agindo dentro de limites estritos de atuação e com máxima liberdade individual, dentro da justa medida da lei, muitas vezes dizem, com razão, que “sabemos o que dá certo”. Realmente sabemos.
Porém, do mesmo modo sempre haverá líderes políticos e, cada vez mais, grupos de pressão que se dedicam a convencer as pessoas de que não podem realmente conduzir suas próprias vidas e de que o Estado deve fazer isso por elas. Além disso, infeliz, mas inevitavelmente, sempre haverá pessoas que preferem o ócio ao trabalho, a dependência à independência, contentando-se com recompensas modestas, desde que outras não consigam melhor. O perigo sempre existe. Como Frederick Hayek escreveu em “Caminho para a Escravidão”, “a luta pela segurança tende a ser mais forte do que o amor à liberdade”. Não deveria ser assim.
Claramente, o José Serra e, do mesmo modo com mais gravidade, a Dilma Rousseff, estão entre aqueles que preferem estimular o povo ao ócio sustentado pelo Estado provedor para garantir-lhe uma dependência remunerada com recompensas modestas como a Bolsa Família e outras tralhas semelhantes.