Marta Suplicy, pode ser o Aécio do Serra.

Senadora Marta Suplicy e Aécio Neves

Senadora Marta Suplicy e Aécio Neves

A imprensa avisa que a Senadora Marta Suplicy desistiu de postular a vaga de candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, pressionada pelo ex-presidente Lula e agora por interferência dele, pela Presidente Dilma Rousseff, que preferem oferecer o lugar ao Ministro da Educação, Paulo Haddad.

A Senadora, ao que se sabe, conhecia há algum tempo a preferência do Lula, mas gostaria de disputar a vaga com Haddad numa pré-convenção do PT ou mesmo na convenção regulamentar. Mas, até isso lhe negou o Lula e ontem, terça-feira, véspera do feriado, o ex-marido da senadora, o também senador Eduardo Suplicy, ocupou a tribuna do Senado para reafirmar a sua própria candidatura e para impor condições para abandoná-la.

Com relação à Senadora, fazer o quê, se em outros tempos, ela, com o apoio do Lula, também atropelou postulantes. E, por mero exercício de curiosidade, é bom lembrar que, em 2001, Eduardo Suplicy cumpriu o papel de espremer o PT com a decisão de disputar a vaga de candidato a Presidente da República com o Lula, que se utilizou do episódio para exigir que o seu partido fosse transigente com as composições partidárias e acordos de financiamento.

Na eleição passada, Lula fez o mesmo com relação aos postulantes do PT à vaga de candidato à Presidência. Ele descartou todos em favor da Dilma Rousseff. A questão agora é que Marta Suplicy tem peso político em São Paulo, ao contrário do que aconteceu com os adversários da Dilma no PT em relação ao ambiente da disputa. Outro elemento a considerar é a ausência do Lula na Presidência da República, uma variável que pode ter sido decisiva na eleição da Dilma, que com outro perfil, terá presença bem diferente na campanha do Haddad em São Paulo.

Por sua história e comprovada capacidade de liderança, Lula tem todo o direito de escolher os candidatos de sua preferência no seu partido, mas, no caso presente, não deveria humilhar a Senadora, atitude representada por sua decisão de sequer permitir que ela tivesse a oportunidade de uma saída honrosa: a derrota nas prévias para o Paulo Haddad.

No PSDB, o José Serra agiu do mesmo modo com o governador Aécio Neves, na eleição passada e o resultado não lhe foi nada agradável. Humilhado, Aécio encontrou motivos para não participar da campanha ou para fingir que participava, e a sua ausência ficou evidenciada nos resultados obtidos pelo Serra em Minas Gerais: no primeiro turno, ocasião em que o Aécio demonstrou todo o seu prestígio político sendo eleito Senador e elegendo um político de ocasião, o senhor Anastasia para o Governo de Minas, Serra não alcançou 31% dos votos (30,76%), enquanto 46,98% dos eleitores mineiros votaram na Dilma, percentual estrondoso, se considerada a candidatura da Marina Silva. No segundo turno, a situação para o Serra piorou em Minas Gerais: 41,55% dos votos contra os 58,45% dados a Dilma.

Fica a lição.

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