Mudanças com Serra ou com Dilma

Dilma ou Serra?Alberto Furuguem escreve na Revista Conjuntura Econômica da Fundação Getúlio Vargas. Na edição, de fevereiro, ele traça cenários econômicos para o Brasil com base na eleição presidencial e considerado o fato de só estarem dois candidatos na disputa com chances reais de vitória: Serra e Dilma.

“Para se tentar avaliar um possível cenário de política econômica, a partir de 2011, com José Serra presidente, vale a pena reproduzir trecho da entrevista do Senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB, à revista Veja(edição 2147, de 13 de janeiro)”, diz Furuguem.

Sérgio Guerra avisou que com Serra, o governo mexerá na taxa de juros, no câmbio e nas metas de inflação. “Essas variáveis continuarão a reger nossa economia, mas terão pesos diferentes”, avisou o Senador.

Com base nisso, Furuguem afirma que é fácil imaginar que “mexer nos juros” signifique juros menores e “mexer no câmbio”, alguma desvalorização do real. Mas, quanto a metas para a inflação, Furuguem tem dúvidas: “significa abandonar o sistema de metas inflacionárias? Significa ser mais tolerante com a inflação?”.

Furuguem busca auxílio no sistema de discurso e prática do presidente do FED (Banco Central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, que enquanto fora do governo defendeu metas para a inflação, para, no governo, não falar mais nisso. Furuguem alerta que ser contra a fixação de metas para a inflação não sugere, necessariamente, que o sujeito seja pela complacência com o fenômeno. Em seguida, ele considera mais profundidade técnica as variáveis abordadas pelo Senador Sérgio Guerra: taxas de juros e câmbio.

Furuguem encontra mais dificuldade em traçar o cenário econômico com a possibilidade de se ter a Dilma na Presidência: “Se para um eventual governo Serra não se apresenta tão difícil imaginar cenários para a política macroeconômica, para um possível governo Dilma Rousseff é diferente. “A candidata tem sugerido, nas aparições de programas políticos do PT, que daria continuidade ao governo Lula. Na área econômica, uma demonstração inequívoca de continuidade seria, por exemplo, antecipar que Henrique Meirelles permaneceria no comando do Banco Central. Fora alguma sinalização muito clara, como a mencionada, as especulações mais diversas para a política econômica num eventual governo Dilma, seriam inevitáveis”, encerra Furuguem.

Para os mais preocupados com a política econômica vale a leitura da matéria na íntegra. Para os que se preocupam com campanhas eleitorais e estratégias, fica a questão: fazer a campanha do Serra com o discurso da transformação – com a promessa de encerrar o ciclo de providências adotado pelo Fernando Henrique Cardoso – ou fazer o da Dilma com a promessa de nada mudar no que foi estabelecido pelo FHC para o setor econômico. Não dá para compreender de outro modo. Complicado, não?

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