Quem assistiu a cerimí´nia de despedida do senhor Orlando Silva e posse do deputado Aldo no Ministério dos Esportes, assistiu a cena da Presidente da República, de pé, a aplaudir o ex-ministro, exatamente no momento em que ele reafirmava inocíªncia. Veio-me dúvida: se ela sabe que ele é inocente, por que, entío, o demitiu?
Síndrome de Salomé?
“Naquele tempo ouviu Herodes, o tetrarca, a fama de Jesus,
E disse aos seus criados: Este é Joío o Batista; ressuscitou dos mortos, e por isso estas maravilhas operam nele. Porque Herodes tinha prendido Joío, e tinha-o maniatado e encerrado no cárcere, por causa de Herodias, mulher de seu irmío Filipe; Porque Joío lhe dissera: não te é lícito possuí-la. E, querendo matá-lo, temia o povo; porque o tinham como profeta.
Festejando-se, porém, o dia natalício de Herodes, dançou a filha de Herodias diante dele, e agradou a Herodes. Por isso prometeu, com juramento, dar-lhe tudo o que pedisse; E ela, instruída previamente por sua míoe, disse: Dá-me aqui, num prato, a cabeça de Joío o Batista.
E o rei afligiu-se, mas, por causa do juramento, e dos que estavam í mesa com ele, ordenou que se lhe desse.
E mandou degolar Joío no cárcere.
“E a sua cabeça foi trazida num prato, e dada í jovem, e ela a levou a sua míoe”. O registro está feito por Mateus no Capítulo 14 do Livro Bíblico que leva o seu nome e serviu de inspiração para Richard Strauss, que, com o nome de Salomé, compí´s uma í“pera e para Oscar Wilde que, com o mesmo nome, escreveu um livro.
Se, a Presidente Dilma acredita mesmo na inocíªncia do senhor Orlando Silva, a cabeça do moço foi, por ela, entregue í imprensa e aos verdugos que passaram os últimos 15 ou 20 dias a pedi-la como príªmio. Dilma fez com Orlando, o que fez Herodes com Joío Batista.
Mas, se a Presidente não acredita na declaração de inocíªncia feita pelo senhor Orlando Silva e, por isso, o demitiu, fez bem, mas não deveria ter festejado o moço na despedida. A não ser que ela tenha o senhor Orlando Silva no papel de Pero Borges, de igual modo festejado pelo Rei de Portugal depois de apanhado em falcatruas. Eduardo Bueno conta a história na página 64 de seu livro “A Coroa, a Cruz e a Espada”, caso acontecido em 1548, quando o Brasil mal engatinhava como nação:
“Apesar do poder concentrado em suas míos, Pero Borges não tinha a ficha limpa. Em 1543, quando ocupava o cargo de corregedor de Justiça em Elvas, no Alentejo, próximo í fronteira com a Espanha, Borges foi encarregado pelo monarca de supervisionar a construção de um aqueduto. Quando as verbas se esgotaram sem que o aqueduto estivesse pronto, algum clamor de desconfiança se levantou no povo. Os vereadores da Câmara de Elvas escreveram ao rei, solicitando investigação do caso. Em 30 de abril de 1543, D. Joío III autorizou a abertura de um inquérito. Uma comissão parlamentar averiguou detidamente as contas e comprovou que Pero Borges desviara 114.064 reais ”“ equivalentes a um ano de seu salário como corregedor. Em 17 de maio de 1547, depois do julgamento ser postergado durante tríªs anos por meio de uma série de recursos e “demandas” impetradas pelo próprio réu, o doutor Borges foi condenado a pagar í custa de sua fazenda o dinheiro extraviado. A mesma sentença o suspendeu por tríªs anos do exercício de cargos públicos. O corregedor retornou a Lisboa deixando atrás de si triste celebridade. Mas, no dia 17 de dezembro de 1548, exatos um ano e sete meses após a sentença, o mesmo Pero Borges foi nomeado, pelo mesmo rei, Ouvidor-Geral do Brasil, cargo que pode ser comparado ao de ministro da Justiça.”
Estamos, assim, diante de um complicado enigma: Dilma, Herodes ou Dilma, D. Joío III?


