Faz 19 anos que o Congresso Nacional afastou Fernando Collor de Mello da Presidíªncia da República. Eu o conheci em 1985, ele ainda deputado federal, em rota de ser Governador do Estado de Alagoas. Estive com ele poucas vezes e, evidentemente, me lembro de todas.
A primeira, na casa do empresário Paulo Octávio, que anos depois foi eleito senador, vice-governador e governador do Distrito Federal.
Em 1985, eu ocupava as funções de Assessor Especial do Diretor de Habitação e Hipoteca da Caixa Econí´mica Federal e na mesma instituição, o de Coordenador do Programa Habitacional Verde Teto ”“ programa que tinha como objetivo financiar moradia para a população de baixa renda nos municípios rurais. O Paulo Octávio, como empresário da construção civil, mantinha relações comerciais com a Caixa Econí´mica e, em especial, com a Diretoria de Habitação e Hipoteca. Por conta disso, eu estive com ele algumas vezes e em duas delas, ele estava acompanhado do Fernando Collor.
Em 1986, Fernando Collor foi eleito governador de Alagoas e quase imediatamente iniciou a sua campanha para presidente. Eu havia sido candidato a deputado estadual no Rio de Janeiro pelo PFL. Perdi a eleição. Entío, fui convidado pelo Superintendente do Banco do Brasil de Investimentos, uma empresa subsidiária integral do Banco do Brasil para assumir uma das suas geríªncias. A sede era em Brasília e, por conta disso, recebi alguns convites do Paulo Octávio para o tradicional jogo de petecas em sua residíªncia. Em duas oportunidades, estive com o Fernando Collor.
Depois, o reencontrei numa visita que ele fez a Teresópolis, já como candidato í Presidíªncia, mas ainda governador do estado. Um grupo de empresários locais coordenado pelo Presidente do PRN, partido ao qual Collor se filiou para sair do PMDB, promoveu um jantar para ele no Hotel Alpina. Ele, no discurso, destacou a minha presença. Pouquíssima gente compareceu.
O tempo passou, a candidatura dele cresceu. Entramos no ano de 1989 e um pouco antes de ele renunciar ao governo do estado, fomos víª-lo em Brasília, na casa do Paulo Octávio, eu e o deputado Rubem Medina. A idéia era organizar o apoio a ele dos dissidentes do PFL no Rio de Janeiro.
Fernando Collor chegou í casa do Paulo Octávio acompanhado de um deputado alagoano, Cleto Falcío, gente de sua confiança. Em duas horas, definimos uma agenda de trabalho para a campanha dele no Rio de Janeiro, que começaria com o apoio público do Rubem Medina e com a decisão do comando nacional da campanha de transferir para o Rubem a presidíªncia regional do PRN.
Naquele ano, eu ocupava a Geríªncia-Geral da agíªncia do Banco do Brasil em Campo Grande, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. Mesmo sem ter muito tempo, ajudei na organização da campanha e com este trabalho fui até a inauguração do comitíª central na Rua Sorocaba, em Botafogo. Uma conversa com o comitíª nacional de campanha me fez desistir do projeto. Saí porque vi confirmada uma declaração que ouvi de um deputado federal tucano, Euclides Scalco quando ainda simplesmente se ventilava a possibilidade do Collor ser candidato a Presidente: “esse sujeito é um blefe, mas isso seria um problema menor, se ele não fosse também um gangster”.
Fernando Collor venceu a eleição com uma campanha inteligente, onde a estratégia aliada ao marketing eficaz fez a diferença. O primeiro lance veio com a comparação da imagem dele, um jovem corajoso, preparado, e com muita vida pela frente com a imagem de um velho, Tancredo Neves, que alavancou muita esperança, mas morreu antes de assumir a presidíªncia. Depois, a preparação do ambiente do segundo debate, depois de haver concluído que o primeiro tinha sido um desastre.
E, a história conta o resto, num enredo que envolve roubo, assassinatos, deserções, traições e outras tantas coisas semelhantes. O ex-deputado Cleto Falcío, falecido há pouco, em setembro, resolveu contar o seu lado da história com o livro “Dez anos de silíªncio” e numa entrevista que concedeu í Globo News, aqui copiada.


