Novamente, teremos eleições no Brasil e nos Estados Unidos. Lá, os americanos escolherão o Presidente da República e estão a viver a ocasião das eleições primárias. Cá, escolheremos os prefeitos, mas por aqui ainda não há autorização legal para as campanhas.
Lá, os partidos e os eleitores estão em movimento e realizam convenções para escolher os candidatos que, logo depois, em nome deles, disputarão as eleições. Cá, nos gabinetes e salas de vinho e chope, de preferências às escondidas e mentindo muito, os caciques dos partidos fazem conchavos para, eles mesmos, decidirem sem ouvir os filiados, quem, nas eleições, os representará como candidatos.
Por conta dessa diferença básica, apesar da imprensa do mundo todo só citar Mitt Romney (Willard Mitt Romney), Newt Gingrich (Newt Leroy Grinrich) e um ou dois outros personagens como prováveis adversários do atual Presidente Barack Obama, mais de uma centena de eleitores registrados ou não nos partidos, mas aptos ao trabalho de presidir o país, disputam a vaga.
Lá, qualquer cidadão, americano nato, maior de 35 anos, pode se dirigir a uma organização eleitoral e preencher uma ficha de candidato. A única exigência adicional para o registro é que o candidato comprove haver arrecadado pelo menos US$ 5 mil em doações, porque por lá também se sabe, como se sabe em todo o resto do mundo, que eleições custam dinheiro. E não pense você que todos esses pré-candidatos sejam republicanos, porque há outros partidos e, mesmo no partido do Presidente Barack Obama, o Partido Democrata, há quem deseje tirar a sua chance de disputar a reeleição.
Lá, os estados possuem legislação própria que, efetivamente vale e é aplicada para assegurar-lhes a soberania diante da União. Por isso, há lugares que autorizam eleitores de nenhum e de qualquer partido votarem nas eleições primárias. E lá não existe essa história de Ficha-Limpa ou Ficha-Suja, porque partido algum é insano o suficiente para contrariar os eleitores e apresentar-lhes candidatos sobre os quais pairem dúvidas morais ou éticas.
Cá, os candidatos às eleições são escolhidos de outro modo, pois os partidos têm donos e os seus donos não são os filiados. Estes sequer têm voz, muito menos, votos. Eles, simplesmente, são argumentos de uma fraude, utilizados nas ocasiões em que os donos dos partidos querem fazer campanha antes do período autorizado por lei. Por isso, você assiste no rádio e na TV, durante todo o ano, os candidatos do futuro na pele presente de propagandistas dos convites para filiações.
Nenhum partido oferece vagas a quem não cante a música dos seus proprietários, com exato ritmo e idênticas melodia e harmonia. Por isso, quando vamos às urnas votar, na verdade homologamos os candidatos dos donos dos partidos, gostemos deles ou não.
Em vista disso, o modelo, por lógica, exige que se conheçam não os candidatos, mas os seus donos – não os periquitos, que tiram a sorte, mas os tocadores do realejo. Se há eleições para as prefeituras, manda o bom senso, escolher os candidatos com os olhos postos nos seus donos, até porque eles têm sido o motivo de, nas prefeituras das cidades do interior chegar gente de fora para ocupar as secretarias municipais e outros postos de relevo.
Os exemplos estão bem perto de nós. Afinal:
- Quem decidiu que o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo será o senhor Haddad? Lula, exclusivamente, Lula, ainda longe do tempo regulamentar das convenções partidárias.
- Quem decidiu que o José Serra será o candidato do recém-criado PSD? O atual prefeito de São Paulo, senhor Kassab.
- No Rio de Janeiro, os donos do DEM e do Partido da República já decidiram: perderão a eleição com os nomes dos seus filhos, Rodrigo Maia e Clarissa Garotinho, enquanto o PMDB colocará em campo o atual Prefeito Eduardo Paes, que pertence ao Sérgio Cabral e a um dos Piccianis. O PT…bem os donos do PT não repetirão, com certeza, o vexame de 2008, quando deixaram na pista, a falar sozinho, o candidato da preferência dos filiados e dos melhores eleitores, o senhor Alessandro Molon.
E por falar em 2008, falar no PT, no Molon e Cia, cabe lembrar, em defesa da tese, o que fez o senhor César Maia com o DEM naquele ano. Entregou o partido em todo o estado ao PMDB, em troca da garantia de não ter o Eduardo Paes como candidato à Prefeitura. Depois que entregou o combinado, o que lhe combinaram em troca não lhe foi entregue. O moço tomou uma calça arriada do senhor Jorge Picciani e, muito contrariado e semblante fechado, passou a prefeitura que foi sua por anos, para o seu desafeto.