Quando os times perdem jogos, os técnicos perdem os empregos e o fato dá tranquilidade aos jogadores em suas relações com os técnicos que eles não gostam.
Nas campanhas eleitorais que andam mal das pernas, o profissional de marketing é o primeiro a apanhar. Ele não perde de imediato o emprego, porque as campanhas só avisam que não andam bem em cima do laço, quando não se pode mais trocá-lo.
Luiz Gonzalez é o Judas do momento, por conta dos percalços que a campanha do José Serra enfrenta. Mas, o Lucas Pacheco já esteve na mesma berlinda, quando o Geraldo Alckmin cismou que por conta do moço a sua campanha para a prefeitura de São Paulo caminhava para o precipício.
Quem joga pedra no marketing desconhece que o resultado de uma eleição é a soma de dois fatores: ações políticas e comunicação, campo em que entra o marketing.
Os acordos com os agentes políticos e as alianças com os segmentos da sociedade civil se somam à escolha dos temas a serem utilizados na campanha eleitoral e ao histórico do candidato, para formarem o que eu chamo de ações políticas. A comunicação é o trabalho de divulgação dos temas e de convencimento do eleitor, para conquista do voto.
Temos, então, que numa campanha eleitoral, o marketing tem participação relevante, mas altamente dependente das ações políticas, que são desenvolvidas pelos candidatos e partidos.
É verdade, que o Luiz Gonzalez não faz um bom trabalho de marketing eleitoral na campanha do José Serra e esta situação ficou evidente na abertura dos programas eleitorais de TV e rádio. Mas, a velocidade da queda nos índices de intenções de votos do candidato tem motivos mais profundos: o candidato e o seu partido pecam, há muito tempo, nas ações políticas que hoje sustentam a sua campanha.
O problema presente na campanha do Serra serve como lição para qualquer campanha eleitoral, seja para presidente da república, vereador ou síndico de prédio.
Quem conduz uma campanha eleitoral precisa ter exata compreensão do peso que tem cada um dos fatores que definem o resultado. De nada adiantam ações políticas perfeitas para uma campanha com comunicação ruim, do mesmo modo que o marketing não consegue milagres para campanhas de fracas ações políticas.
Ora, para vencer um campeonato de xadrez de nada adiante possuir um belo tabuleiro e peças bem desenhadas. É preciso saber jogar.