Montanhas de gelo


Fala-se que as campanhas eleitorais, em quase todo o Brasil, andam frias – são montanhas de gelo – e atribuem o fato ao desinteresse que tem a população brasileira pela política. Meia verdade. O ambiente anda mesmo frio, mas não em razão do desinteresse da população pela política, mas pelo modo como são os partidos políticos.

Vamos a alguns exemplos:

No Estado do Rio a eleição para governador está decidida. É uma aventura sem propósito imaginar que o Sérgio Cabral terá dificuldades para ser reeleito. Por isso, ele, sequer, faz campanha. Finge que faz?

Mas, por que o sucesso? Dizem alguns que em razão do trabalho feito na Segurança Pública. Nada disso. Faltou-lhe oposição e não houve partido que abrisse oportunidades para candidatos competitivos.

Pelo que houve em 2006, quando a Denise Frossard, com o apoio do César Maia foi ao 2º turno das eleições contra o Sérgio Cabral, imaginou-se que ela ou o próprio César Maia seriam candidatos ao governo do estado. Se fossem, as eleições por aqui não seriam tão frias, com certeza.

Mas, a Denise Frossard não quis enfrentar a questão, provavelmente estimulada pelo deputado André Corrêa que, mesmo no PPS, partido que advoga a candidatura do Gabeira, dá sustentação ao Cabral na Assembléia Legislativa e nas ruas desde o primeiro dia do governo dele.

Na equipe que trabalhou com a Denise Frossard em 2006, há até quem jure que o acerto do deputado André Corrêa com o Sérgio Cabral tenha ocorrido antes mesmo de passado o período do segundo turno da eleição. Mas, o fato pode ser boato.

Denise Frossard, portanto, não quis disputar e se quisesse, certamente, não contaria com o apoio do PPS e muito menos do DEM e menos ainda do César Maia, que assustado com as denúncias, talvez infundadas, do jornal O Globo de irregularidades na construção da Cidade da Música, preferiu sossegar. Hoje, ele inventa importância para a função de Senador, simplesmente para descansar no Senado Federal.

Garotinho também tentou ser candidato contra o Cabral, mas medrou, quando a Justiça Eleitoral lhe deu um suadouro.

Fernando Gabeira entrou na disputa com o Cabral e poderia esquentar a campanha com os apoios que institucionalmente tem. Entretanto, ele foi feito candidato ao governo por uma artimanha do César Maia, que não gostaria de tê-lo, em 2012, com o mandato de Senador a disputar a Prefeitura do Rio.  Sem adversários para o governador, a campanha é fria.

O mesmo ocorre com a campanha presidencial. Lula decidiu não ter adversários e abateu em vôo todos os que se levantaram com possibilidades de tumultuar a vida da Dilma e contou com a ajuda da incompetência que tem o PSDB para fazer campanha eleitoral. Outro não foi o caso do Ciro Gomes.

Como os partidos políticos brasileiros são capitanias hereditárias e centros de poder autoritário pertencentes aos pequenos grupos políticos, eles não consideram as opiniões dos filiados, abominam convenções deliberativas e decidem na marra com base em seus interesses comerciais de seus dirigentes.

Definitivamente, são poucas as convenções partidárias com disputas acirradas e acaloradas para escolha de candidatos ou decisões de coligações. Eu sou tempo das convenções quentes e em outra oportunidade, contarei um pouco das experiências que vivi.

Como estão e funcionam, os partidos políticos não permitem o aparecimento de novas lideranças e tornam as campanhas eleitorais peças publicitárias sem política e sem vida.

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