Os valores impressionam.

Os valores impressionam
E, como previsto, as denúncias contra o Ministro Orlando Silva continuam crescendo. O seu partido, claramente, já o abandonou e busca nomes.

Os valores envolvidos são os dados que mais me impressionam nas denúncias de desvio de dinheiro público via ONGs. Nenhuma cifra é menor do que um milhão de reais. Há projetos que alcançam 20, 30, 40, 50 milhões!

Como é possível um órgão de governo colocar em projetos valores tão elevados sem que as organizações financiadas comprovem experiência e lastro? Como é possível o governo entregar milhões de reais do contribuinte nas mãos de gente claramente não tem condições de administrar a própria vida, pelo que se vê das fotos e dos históricos dos envolvidos?

O Ministro Orlando Silva, bola da vez, diz que o seu acusador é um sujeito que busca vingança por estar sendo cobrado pelo Ministério dos Esportes para prestar contas dos milhões que recebeu. Um sujeito que ele confirma haver recebido em seu gabinete quando Secretário-Executivo do Ministério. Eis a pergunta que faço: o sujeito é um ex-policial e não consta que tenha tido experiência com formulação e execução de projetos de qualquer natureza até se avistar com o Orlando Silva.

Com base em que, portanto, ele conseguiu levantar tanto dinheiro? O único elo entre ele e o projeto e o ministro acusado é, até aqui, a sua filiação partidária. Com certeza, não por outro motivo ele conseguiu o privilégio de ser recebido em audiência pelo Secretário-Executivo, hoje Ministro, e ser ouvido.

Ora, as denúncias de desvio de dinheiro público com a utilização de ONGs não são novidade. Estão a pipocar há pelo menos 20 anos. Por que diabos, então, o governo ou o legislador que se diz cioso de acabar com a corrupção não proibiu ainda o financiamento de projetos via ONGs?

De que adianta a Presidente da República dizer que alertou os seus ministros para a necessidade de serem mais cuidadosos com a liberação de recursos para as organizações não governamentais? Se ela vê riscos altos nas operações, por que simplesmente não as suspende, não as proíbe?

Não aconselha o bom senso e o cuidado com o dinheiro público que tais projetos sejam antes avaliados e paulatinamente testados? Não seria mais seguro, no lugar de, de uma vez só liberar milhões, liberar poucos milhares para testar os projetos e avaliar a consistência de cada um deles?

Por fim: não está impedido um  juiz de julgar uma causa que envolva pessoas de sua relação pessoal? Por que um Ministro não haveria de estar impedido de liberar recursos para organizações de pessoas vinculadas ao seu partido?

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