Se a Dilma não agir como Teresópolis agiu…

Se a Dilma não agir como Teresópolis agiu...

Entre todas as calamidades, há outro ponto a unir a história dos prefeitos cassados, Jorge Mário, em Teresópolis e Demerval Barboza, em Nova Friburgo: o bom conselho da Presidente Dilma Rousseff, que os dois preferiram não seguir. Ela avisou: “não é hora de pensar em dinheiro para as obras, mas hora de socorrer e atender as vítimas”.

Teresópolis e Nova Friburgo, agora devolvem à Presidente Dilma um bom conselho: livre-se do Lupi como nos livramos de gente que é igual a ele. Senão…

Se não é fácil administrar uma pequena loja, uma casa de família, ou a própria vida, a vida dos filhos ou ajudar a administrar a vida dos netos, o que se pode dizer da complexidade de se administrar uma cidade?

Como é possível agradar 20, 30, 50, 100, 200, 500 mil ou mais de um milhão de pessoas? Atender cada uma em suas necessidades e expectativas? Agradá-las até ponto de fazê-las decidir por nós no momento em que são chamadas a opinar?

Afinal, são as cidades que oferecem ou retiram a comodidade, a segurança ou o prazer de uma atividade das mais simples entre as obrigações do ser humano: a mobilidade, o andar pelas ruas.

Também são as cidades que oferecem os meios de transportes mais utilizados e os corredores por onde eles transitam, assim como são delas a responsabilidade de entregar as primeiras letras, o primeiro ensino, as lições iniciais para a caminhada de toda uma vida.

Se a Dilma não agir como Teresópolis agiu...De igual modo, pertencem às cidades os primeiros socorros, os primeiros cuidados em casos de acidentes graves e não graves ou de uma simples disenteria ou de uma pequena dor de cabeça que, sem o devido cuidado, sem o diagnóstico correto, pode ser fatal. A depender da administração das cidades, as chuvas e os dias ensolarados, assim com as noites mais escuras ou de lua cheia, podem ser cenários e palcos de belos romances ou de agonia e terror; serem benções ou maldições.

Quando se administra uma cidade, há momentos, muitos momentos, em que se entra na vida nas pessoas, em que se decide se elas terão vida longa, viverão um bom futuro ou terão motivos para viverem pouco ou se lamentarem por toda a vida. Quando se administra uma cidade se decide sobre os negócios que nelas acontecem e sobre os negócios que elas produzem, edificam. Nas cidades têm início idôneo ou inidôneo, as pequenas e grandes fortunas.

Sinceramente, administrar uma cidade é coisa para gente grande, mas será só para gente que entenda do assunto? A conclusão estaria com Platão, para quem só aos sábios se deve dar a honra de governar os homens? Ou com aqueles que advogam para os governos os representantes diretos do Criador, por Ele nomeados e em nome Dele empossados?

A democracia respondeu, há muitos anos, que não. A tarefa de administrar as cidades deve ser entregue aos que nelas vivem, porque eles sentirão na própria pele o sabor e os resultados dos seus atos, de suas decisões. Ninguém melhor do que eles, portanto, para saber o resultado do que fazem.

Por isso, nas cidades os governos que perdem o rumo são aqueles que desconectam os governantes da realidade da população. E, essa tem sido uma situação comum nas cidades brasileiras, por isso, há um monte de prefeitos cassados, afastados, odiados até o último fio de cabelo. Gente que perdeu conexão com o povo. E, cá entre nós, bem feito, que tenham sofrido os males que sofreram!

Mas, como devem fazer os que governam para não perderem a conexão com o povo? Viver a vida que o povo vive; sentir na pele o que ele sente; entender os sonhos e as agruras que ele tem. Reagir como ele reage. Usar os meios de transportes, as escolas, os hospitais, as ruas que eles usam. Repugnar o que ele repugna.

Ser honesto e trabalhar com afinco é bom início. Percebe-se que o povo brasileiro sente falta, muita falta, de gente honesta nos governos, de gente que não brinca com coisa séria, de gente que trabalha de sol a sol, medindo resultados.

Havendo honestidade e trabalho; havendo autoridade moral, o resto, com certeza, virá, porque a sociedade já produziu instrumentos suficientes para se organizar de forma mais eficiente qualquer governo.

Sinceramente, ninguém agüenta mais ver nos governos alguém que seja como são o Jorge Mário ou o Carlos Lupi. Ninguém suporta mais gente que engana gente; que faz pouco da inteligência do povo, que minta para ter conforto pessoal. Se a Dilma não der ao Lupi o destino que o povo de Teresópolis deu ao Jorge Mário e o destino que Nova Friburgo deu ao Demerval , erecerá ser comparada a eles dois.

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