As pesquisas de intenção de votos para Presidente da República sinalizam a derrota do José Serra no primeiro turno. Evidentemente, que isso pode não acontecer, mas as indicações são de possibilidade real.
Diante do fato, a charge do Chico Caruso na capa do jornal O Globo deste domingo, 29 de agosto, apresenta a caricatura do José Serra a falar com o Aécio Neves por telefone: “-Alô, Aécio… quer trocar?”.
Como o jornal O Globo não disponibiliza cópia da charge e ela ainda não está reproduzida em outros veículos, não posso demonstrá-la.
Para quem não lembra, o Aécio Neves tentou ser o candidato do PSDB à Presidência da República, mas não passou pelo José Serra que entendeu a vaga de candidato a presidente como um direito seu inalienável. E, nada me tira da cabeça, que os problemas do Serra com a campanha presidencial começaram ali.
Ainda governador de Minas Gerais, Aécio Neves saiu pelo Brasil em campanha para ser candidato a Presidente e, de cara, conseguiu a atenção simpática do também candidato Ciro Gomes e do Geraldo Alckmin, isolado e mordido com o PSDB e com o José Serra em razão das circunstâncias difíceis que os dois lhe impuseram na eleição anterior.
No Rio de Janeiro, Aécio Neves conseguiu, por laços familiares, a boa vontade do governador Sérgio Cabral e do Senador Francisco Dornelles. E, até dos rabugentos Maias, ele obteve algum aceno.
Mas, José Serra não gostou do que fez o Aécio Neves, por entender que a vaga do PSDB de candidato a presidente era sua por direito histórico e, com o jeito que lhe é próprio de fazer política, exigiu do partido a rendição incondicional do seu colega.
O Aécio Neves tentou uma saída honrosa: a realização de uma prévia no PSDB que ele, com a experiência que tem, sabia perdida.
No entanto, o José Serra, que não é de composições nem de conciliações, resolveu engrossar a voz e cooptou o Geraldo Alckmin com um cargo no governo de São Paulo e os Maias com a decisão de interferir no PV e no PSDB do Rio de Janeiro para fazer do Fernando Gabeira candidato ao governo estadual, situação que, pensam os Maias, facilita-lhes a vida na disputa pela Prefeitura do Rio em 2012.
Desse modo, o José Serra deixou claro: quero a rendição incondicional do Aécio Neves e nada mais me interessa.
Como não se pode engrossar a voz com o Governador de Minas Gerais – pelo menos é o que diz a História do Brasil – Aécio deu uma banana para o Serra e para o PSDB e voltou os seus olhos para o seu estado e por lá poderá fazer a proeza de eleger o sucessor.
O Aécio Neves seria melhor candidato que o Serra?
Acredito que sim. Ele é conciliador, tem a imagem de um jovem determinado e que acumula sucessos na vida pública. Ele representa para os mais velhos, em razão dos seus laços familiares e políticos, a lembrança do Presidente Tancredo Neves e, para os mais velhos ainda, a do Presidente Getúlio Vargas, dois fatos que seriam mel na boca dos publicitários que operam campanhas eleitorais.
Mas, mesmo não sendo candidato, o Aécio poderia ser hoje um coordenador político de qualidade excepcional na campanha do José Serra, não fosse a situação humilhante promovida pela exigência de rendição incondicional que o PSDB lhe impôs.
O Aécio compensaria o Serra naquilo que ele é pior: a qualidade de agregar e conciliar. Ele é habilidoso e tem vantagens adicionais, como é o caso de sua aproximação pessoal com o Governador do Rio, Sérgio Cabral e com o Senador Francisco Dornelles que, diante dele, teriam, no mínimo, algum constrangimento em operar a pleno campanha da Dilma Rousseff.
Como São Paulo votaria de qualquer modo contra o PT e Minas Gerais seguiria unido com o Aécio Neves, o José Serra estaria, neste momento, numa situação mais confortável.
Mas, como o PSDB e o Serra são como são e a expressão se, somente se, não tem valor político, a sorte está lançada.
A candidatura do Serra desagregou toda a oposição, que já era muito frágil…