As pesquisas, tanto as mais sérias como as encomendadas para endereços certos, indicam que o José Serra segue ladeira abaixo na disputa pela Presidência da República.
Fato interessante e curioso, porque ele liderou a corrida durante todo o período definido pela legislação como de pré-campanha; chegou à campanha numa situação de empate técnico com a sua principal adversária, Dilma Rousseff e, depois do primeiro programa eleitoral veiculado na TV e no rádio, desce ladeira abaixo.
Tem gente atribuindo ao fato explicações as mais diversas e desencontradas e como os resultados piores acontecem depois da entrada do período de programas eleitorais na TV e no rádio, os mais desavisados acreditam que a qualidade dos programas seja motivo exclusivo.
Entretanto, os desastres eleitorais são como os desastres aéreos, que somam fatores diversos para derrubarem os aviões. E, alguns deles acontecem com os aparelhos ainda em terra firme.
Como resta mais do que provado com as inúmeras e inesperadas viradas já conhecidas no ambiente sagrado da aplicação do voto, a eleição para presidente, assim como todas as demais, não está decidida e há tempo suficiente para evoluções.
Mas, seja como for, a campanha do José Serra, em toda a sua extensão, representa um case de sucesso, quando a decisão é pela derrota.
Alguns fatores que para ela contribuem aconteceram ainda no tempo da organização da campanha ou, no paralelo com os desastres aéreos, no momento em que o “avião” ainda estava no chão.
E, neste momento da queda, já tem gente com o pára-quedas nas costas.
Vamos a eles, com a clareza de que, neste momento da campanha presidencial ou da viagem, com o avião em queda, já tem passageiro com os pára-quedas nas costas e tem gente que já caiu fora. A turma do DEM deixou claro que entendeu o recado, quando impôs o Índio da Costa na vaga de vice.
Para perder? É simples assim:
- Esquecer que é quase impossível vencer um governo bem avaliado.
- Desconhecer que um governo é mais bem avaliado, quando não enfrenta oposição consistente antes do período da campanha eleitoral.
- Ser durante quatro anos candidato da oposição sem, contudo, incomodar o governo.
- Dizer que será o melhor do mesmo, sendo contrário ao mesmo.
- Imaginar que o eleitor vota pensando no futuro, sem olhar o passado.
- Incomodar o governo quando as pesquisas indicam queda na preferência do eleitor.
- Ser desagregador.
- Não ter discurso definido.
- Humilhar os companheiros que se julguem também no direito de, internamente, disputar a vaga de candidato.
- Subestimar os adversários.
- Organizar alianças só com o interesse no tempo de TV e rádio, sem avaliar as consequências políticas e perceber que há casos em que, para cada minuto a mais na TV e no rádio, se perde uma eternidade para explicar as decisões.
- Esquecer que TV é imagem e que o povo abomina a imagem do político profissional.
- Andar de ônibus e de metrô e comer sanduiche em padaria só nos tempos de campanha, quando há necessidade de produzir imagens para a TV e para a mídia.