Desconheço casos de corrupção que tenham vindo à tona em razão do trabalho dos órgãos de investigação. Todos os casos que eu alcancei anunciados na imprensa surgiram com base em denúncias feitas por gente de dentro, gente envolvida e, evidente, contrariada. E, se os casos não param de pipocar, estou autorizado a acreditar que ainda estão a funcionar, sem incômodo, outros casos de corrupção, porque contraria a lógica crer que há contrariados sempre dispostos a denunciar ou que existe gente contrariada em todos os esquemas que ainda funcionam.
Por outro lado, muitos dos casos até aqui denunciados dizem respeito a esquemas já descobertos em outras oportunidades, situação que comprova que a ação dos órgãos de investigação e julgamento não foi suficiente para desencorajar outros casos. Os órgãos de investigação chegam tarde, depois que as denúncias chegam aos jornais.
Neste contexto, cabe lembrar que em tempos recentes a moda eram as escutas telefônicas. Durante alguns anos, nenhum caso veio à tona sem estar acompanhado da representação gráfica na TV e nos jornais de conversas por telefone.
Está claro, portanto, que o Brasil abriga um modelo de investigação e julgamento completamente ineficiente como instrumento inibidor, desencorajador.
A situação, lamentavelmente, não atinge só os casos de corrupção. Atende a crimes de outra qualidade ou tipificação, desde os acidentes graves no trânsito até os homicídios. Por isso, o grau de impunidade no Brasil é elevado.
Não há como não dizer que o Brasil é um país que estimula o crime, porque investiga mal, fiscaliza pessimamente e julga sem responsabilidade.
Há como mudar isso? Há, mas não com passeatas ou movimentos populares que falam ao vento. Como solução, ficou com a opinião do Ministro Jorge Hage, que tem hoje a responsabilidade de conduzir um órgão de investigação. Se ele adotar no seu dia-dia a sua própria opinião, o Brasil terá chances maiores para reduzir muito o crime.