Baixaria?

Toda vez que um candidato se sente acuado, desconfortável com situações, críticas ou denúncias que não consegue explicar ou responder convincentemente, ele saí pela desconversa, pela tangente: “isso é baixaria; caso requentado. Na verdade, o eleitor quer o debate de propostas e idéias”.  Quem disse?

Participei intensamente da campanha passada para o Governo do Estado do Rio de Janeiro, e não foram poucas as vezes que o candidato Sérgio Cabral Filho, depois eleito, fez da ladainha um refrão. Para tanto, bastava que um dos seus adversários levantasse dúvidas sobre os motivos do seu enriquecimento rápido representado por um belo patrimônio pessoal ou colocasse diante dela a sua insofismável co-responsabilidade pelos desmandos dos governos do casal Garotinho.

A presente campanha segue de modo um tanto diferente, motivada pelo tema criado com o projeto de iniciativa popular transformado na nova lei sobre inelegibilidades, que a população e a imprensa apelidaram de “Lei do Ficha Limpa”. Ela motivou as matérias que a imprensa publicou durante a semana com informações sobre o crescimento estupendo do patrimônio pessoal de alguns candidatos.

Os dados utilizados pela imprensa foram retirados do site do Tribunal Superior Eleitoral, no conjunto denominado “Divulgação de Registro de Candidaturas”.  Quem tiver curiosidade para conhecer o patrimônio dos candidatos e saber como se deu a sua evolução – se houve enriquecimento pessoal – é só visitar o endereço e fazer as comparações.

Lá, por exemplo, há o registro de uma montanha de dinheiro guardada em casa, situação curiosa para um país e um estado que não prima pela segurança. Alexandre Cardoso, candidato pelo PSB a deputado federal, registrou a façanha de ter, em casa, em dinheiro vivo, um milhão de reais.  O valor é maior do que todo o patrimônio declarado pelo candidato a governador Sérgio Cabral Filho, que ele apóia e declara R$ 843.000,00, como bens e valores pessoais, no conjunto contabilizado os R$ 200.000,00 que ele diz valer a polêmica residência de verão localizada em Mangaratiba.

Mas, além do site do Tribunal Superior Eleitoral, há o da Transparência Brasil, que contém um completo dossiê sobre os parlamentares em atuação no Brasil todo. Lá estão presentes informações e dados que falam do patrimônio pessoal, do financiamento das campanhas anteriores, das presenças nas votações em plenário e até das principais notícias veiculadas pela imprensa sobre o parlamentar.

O site traz também o espaço  “Ás claras”, que mostra quem financiou cada um dos candidatos nas campanhas eleitorais desde 2002. É uma pesquisa bem interessante.

Com tantas informações e dados disponíveis na internet, o eleitor tem condições de, por si mesmo, avaliar o trabalho dos candidatos que estão nas ruas a pedir o seu voto e saber quem os financia no tempo das eleições. Já é um bom começo, mesmo sabendo-se que o caixa dois – financiamento não oficial – ainda representa o dobro do financiamento registrado.

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