Quem melhor esconde, vence

É notícia a decisão do candidato ao governo do Rio, Sérgio Cabral Filho, de não participar dos tradicionais debates patrocinados pelos canais de TV. E, também é notícia, o fato do Marcelo Branco, membro do comitê coordenador da campanha da Dilma Rousseff, cobrar no twitter a participação dela nos debates organizados pelos portais da internet.

Nasce a questão: para que servem os debates no rádio, televisão e internet? Provavelmente, a população acredite que sirvam para que ela conheça melhor os candidatos. Mas, quem opera campanhas eleitorais sabe que, em razão do desenho e das normas que receberam ao longo do tempo, eles têm objetivo contrário, rigorosamente oposto. Neles, terá melhor desempenho o candidato que consiga esconder as suas fraquezas, os seus defeitos.

O Brasil ficou sem eleições presidenciais no período de 1964 a 1989. Portanto, os debates na TV foram novidade na primeira eleição presidencial, com auge no segundo turno, disputado entre Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva. Em 1989, ao contrário do que acontece atualmente, os canais de TV organizaram um pool para transmissão conjunta. O jornalista Boris Casoy trabalhador como mediador. Vale a pena rever com o olhar nos fatos que ocorreram ao longo do tempo na vida dos dois debatedores.

Hoje os debates são mais espetaculares, no estilo de shows de auditório, a começar para organização do ambiente, que as emissoras montam como verdadeiros campos de batalhas. Os camarins e os horários de chegada nos estúdios são dimensionados de forma que os candidatos não cruzem os caminhos uns dos outros. As equipes de assessores são posicionadas do mesmo modo.

Os temas são colocados previamente e a designação dos que perguntam e dos que respondem é feita com igual antecedência e base num acordo prévio entre os assessores de cada candidato. Um candidato não pode, nas respostas, citar o outro, sob pena de oferecer ao adversário mais tempo de exposição. Também são proibidas as apresentações de documentos ou de textos escritos.

Para piorar, os debates acontecem em horário que a população já se recolheu. Os debates da TV Globo são os mais visitados, mas no dia seguinte, nas notícias e resumos feitos pelos noticiários, situação que faz com que os debatedores joguem questões para serem exploradas na repercussão.

O candidato sem experiência sofre bastante, em razão da intensa maratona de participar de debates quase diários em diferentes canais de TV e rádio e necessidade de produzir fatos para as matérias do dia seguinte. A tensão é imensa!

Lula perdeu a eleição de 1989, em razão do seu péssimo desempenho no debate com Collor no segundo turno, material disponível no Youtube,  http://www.youtube.com/watch?v=A22Mj747geI .

Em 2006, no segundo turno, no debate da TV Globo, a Denise Frossard, inexperiente, perdeu para a malandragem que Cabral tem no sangue. Ela não soube impor o tema: a falta de autoridade moral que tinha o seu adversário para exercer um governo sem compromisso com o que havia de pior na política fluminense. Cabral,ao contrário, com malandragem e muita maquiagem impôs a agenda, que lhe interessava: demonstrar que a Denise não estava preparada para exercer o governo do estado.

Nas eleições passadas, para as prefeituras, os casos clássicos foram da Marta Suplicy com Kassab e do Eduardo Paes com Gabeira.

A ex-prefeitura errou em tudo, da roupa à arrogância e elaboração das frases de efeito que produziriam notícias para antes e para depois dos debates. Eduardo Paes conseguiu jogar no colo do Gabeira um conceito ruim que ele próprio carregava: ser aliado do César Maia, que vivia os momentos angustiantes dos níveis mais baixos de popularidade de toda a sua trajetória e de elevada rejeição.

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  • http://deusemquestao.blogspot.com Rodolfo Vasconcelos

    Espero que o Serra saiba aproveitar as (muitas) fraquezas de Dilma durante os debates, caso ela vá. E posso apostar que os debates e o início dos programas de TV serão fundamentais para a Marina Silva, que sem dúvida é a candidata mais preparada para presidir o país e reduzir os níveis de corrupção.

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