O cineasta Nanni Moretti está no caderno “EU & FIM DE SEMANA” entrevistado por Elaine Guerini sobre o filme “Habemus Papam”, uma comédia em cartaz na 35ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e, no dia 2 de dezembro, em circuito comercial.
No enredo, um papa recém-eleito, entra em pânico com a responsabilidade de liderar a Igreja e representar Deus na terra e resolve perambular pelas ruas de Roma no lugar de saldar o povo na sacada da Basílica de São Pedro. O Vaticano convoca um psicanalista. O ator francês Michel Piccoli está no papel de papa e o próprio Nanni Moretti no do médico convocado. E, pelo menos no trailler, no texto e nas considerações da jornalista que entrevista Nanni Moretti, as melhores cenas estão na sequencia surreal do torneio de vôlei promovido pelo psicanalista com os cardeais. Para ressaltar as cenas, separei a foto do momento e chamo a atenção para as cores da bola que Nanni segura: cores do Fluminense Football Club!
Na entrevista Nanni Moretti não deixa dúvidas sobre a mensagem principal do filme: demonstrar a dificuldade que as pessoas têm de lidar com as expectativas que há sobre elas.
Digo que a situação é válida, mas exclusivamente, para quem tem responsabilidade e não peca pelo excesso de vaidade e arrogância. Não é caso para toda gente. E, os exemplos do contrário correm a olhos vistos na política, onde tem gente que se acha capaz para ocupar qualquer função e cumprir todo tipo de tarefa sem ficar ruborizado.
Por aproximação – Deus, Igreja, Resistência, Medo – o filme me trouxe a lembrança de uma passagem bíblica, Êxodo 3 e 4, que trata da relutância de Moisés em cumprir a missão a ele designada por Deus de conduzir os judeus para fora do Egito, numa caminhada pelo deserto. Moisés relutou o quanto pode e até ao ponto limite de fazer com que Deus perdesse a paciência com ele.
A beleza do texto está na discussão intensa que houve entre Deus e Moisés, fato que demonstra o quanto Deus tem a capacidade de argumentar e contra-argumentar, quando há uma missão importante em jogo.
Tentarei assistir ao filme quando ele chegar ao circuito comercial e aconselho mesmo àqueles que já conhecem o texto, a leitura ou releitura do diálogo de Deus com Moisés. Uma lição de vida. Ali se vê a compreensão de Moisés sobre o peso do desafio; a veia democrática de Deus e a sua capacidade de entender as fraquezas humanas.